O orçamento ao cliente foi 200.000. A meio do mês já gastou 90.000, e não sabe se isso está bem. A canalização pode estar acabada e o assentamento por começar, ou os dois já passaram o que tinha planeado. Uma soma só parece calma até ao dia em que não resta nada para pagar ao pintor. O pintor chega, a parede está pronta, e a conta não tem de onde sair.
Uma linha por ofício não é contabilidade. É a forma de ver, na obra, qual o trabalho que está a comer o dinheiro antes de esse trabalho acabar. Demolição, canalização, eletricidade, assentamento, pintura, marcenaria, remoção de entulho. O que não tem linha desaparece no resto. No fim do mês o resto não diz qual a porta que gastou a mais.
Como se abrem as linhas
- Os mesmos ofícios que aparecem no orçamento, não uma lista diferente
- Um valor previsto em cada linha, antes de o trabalho começar
- Cada despesa escreve-se numa linha, não num monte geral
- Um extra aprovado sobe essa linha, não fica de lado
- Uma vez por semana: quanto resta em cada linha
Um exemplo da forma, não uma tabela de preços. A linha do assentamento estava prevista em 30.000, material e mão de obra. Pagou 12.000 de azulejo e 8.000 ao empreiteiro pelas divisões secas. Restam 10.000, e as zonas húmidas ainda estão à frente. É esse número que decide se encomenda a parte seguinte ou se pára e fala. A casa de banho não se encomenda porque o total ainda aguenta.
O que não se mistura
O material de assentamento não vai para a canalização só porque o mesmo fornecedor também trouxe tubo. Dois fornecedores, duas linhas, ou pelo menos uma divisão na nota no mesmo dia. Uma despesa sem linha é uma despesa que só aparece no fim, quando já não há a quem perguntar. O tubo e a cola podem vir no mesmo camião e mesmo assim pertencer a ofícios diferentes.
Se houver dois apartamentos, o orçamento não é partilhado. Uma linha de assentamento em Herzl que absorve o azulejo de Bialik parece um estouro no apartamento errado, e o outro cliente não vê o material dele. Ponha o nome do apartamento na despesa no dia em que compra. Uma fatura com as duas moradas no mesmo valor não se separa de memória no fim do mês.
Quando uma linha se esgota cedo
Se resta pouco e o trabalho não acabou, pare antes da encomenda seguinte. Ou há um extra que o cliente tem de aprovar, ou a estimativa do orçamento ficou baixa e é preciso dizê-lo agora, não na fatura final. Continuar e escrever que se fecha mais tarde é a forma de uma linha transbordar sem ninguém decidir. A encomenda seguinte já não cabe no que foi dito ao cliente.
A linha não tem de bater ao shekel todas as manhãs. Tem de estar certa o suficiente para não haver surpresa no dia de pagamento. Um recibo que entra no mesmo dia mantém isso. Um recibo no fim do mês transforma a linha num palpite. Três recibos no bolso durante duas semanas já não dizem qual a parede que os gastou.
Um orçamento de linhas diz onde parar. Um orçamento de um número só diz isso depois de o dinheiro ter saído.