Sexta-feira ao meio-dia. O apartamento está trancado, o telemóvel está cheio de mensagens, e no domingo de manhã tenta lembrar-se se o reboco acabou ou só parecia acabado, se o material de segunda já está pago e se o eletricista prometeu vir ou apenas disse que ia tentar. Uma semana sem fecho é uma semana que se paga duas vezes: uma no trabalho e outra na procura. A segunda-feira começa com telefonemas em vez de martelo.
O diário apanha o dia. O fecho da semana apanha o que tem de acontecer a seguir, antes de a equipa se dispersar. Não é um relatório para o escritório. É uma página curta que fica na obra. Quem abre a porta na segunda lê isso antes de mexer numa parede.
Cinco linhas antes da chave
- O que de facto acabou esta semana, por compartimento ou por ofício
- O que começou e não acabou, e o que falta para continuar
- Material encomendado que não chegou, ou que chegou e não foi contado
- Quem vem no próximo dia de trabalho, e a que horas
- Uma decisão do cliente ainda aberta, com o último dia
Se houver mais do que um apartamento, faça as mesmas cinco linhas para cada morada. Não as misture. Reboco acabado em Herzl não fecha Bialik. Primeiro o nome do apartamento, depois as linhas. Um saco que chegou a uma porta não conta na outra, mesmo que a encomenda tenha saído no mesmo camião.
O que não se deixa para domingo
Uma encomenda para segunda escreve-se na sexta, não a partir da carrinha. Se falta um saco de betonilha ou uma caixa de azulejo, o fornecedor está fechado até domingo, e a equipa sobe a um apartamento vazio. O mesmo para uma conta de subempreiteiro à espera de aprovação: se a semana está clara, escreva o que foi aprovado e o que fica de fora, para no dia de pagamento não estar a reconstruir a semana. Uma hora em falta ou um extra por aprovar mudam o valor.
Uma foto do estado no fim da semana chega, se a linha disser o que se vê. Uma parede acabada sem frase é mais uma foto na galeria. Uma parede acabada com a linha quarto da direita, reboco fechado, à espera de barramento na segunda, é a continuação do trabalho. Quem chega sabe se pode lixar ou se a parede ainda tem de secar.
Quem lê isto no domingo
Se outra pessoa abrir a obra, o fecho é o que lê antes de lhe telefonar. Sem isso, pergunta a partir do carro, e a resposta sai de memória. Com isso, vê quem vem, o que não se pode tocar e o que o cliente ainda não escolheu. A parede aberta à espera da prova não leva placa só porque a segunda parece livre.
Dez minutos à porta vencem meia hora na manhã de domingo. Não escreva uma história. Escreva o que acabou, o que está preso e quem chega primeiro. Se a chave mudou de mão na sexta, essa linha vale tanto como o reboco.
Uma semana fechada é uma semana que se pode continuar. Uma semana aberta é uma semana que começa por adivinhar.